CONHECENDO OS MAMONAS
Mamonas
Assassinas foi uma banda brasileira de rock cômico. O som era uma
mistura de punk rock com influências de gêneros populares, tais
como forró (Jumento Celestino), brega (Bois Dont Cry), além de
heavy metal (Débil Metal), pagode (Lá Vem o Alemão), Música
mexicana (Pelados em Santos), Rap (Zé Gaguinho), Reggae (Onon Onon)
e o vira (Vira-Vira). A carreira da banda, com o nome de Mamonas
Assassinas, durou de julho de 1995 até 2 de março de 1996 (pouco
mais de 7 meses) e não só a morte de seus integrantes, como também
o sucesso destes, foi meteórico e estrondoso. Com um único álbum
de estúdio, Mamonas Assassinas, lançado em junho de 1995, o grupo
acarretou a venda de mais de 3 milhões de cópias no Brasil, sendo
certificado com Disco de Diamante em 1995, comprovado pela ABPD.
Álbum este, que com letras bem-humoradas, como "Pelados em
Santos", "Robocop Gay", "Vira-Vira", "1406"
e "Mundo Animal", os levou ao sucesso estrondoso. Porém,
no auge de suas carreiras, os integrantes da banda foram vítimas de
um acidente aéreo fatal.
MAMONAS E OS AVIÕES
Os Mamonas Assassinas sempre tiveram uma certa relação com aviões.
Quando adolescente, Samuel costumava desenhar aviões. No final dos anos
80, Sérgio, Bento e Samuel formaram a banda Ponte Aérea, que depois se
tornaria Utopia. Todos os integrantes do grupo moravam perto do
Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos. No disco homônimo do
grupo Mamonas Assassinas, há um agradecimento a Santos Dumont "Por ter
inventado o avião, se não a gente ainda estaria indo mixar o disco a
pé".
Um trecho da música 1406 cita um avião. "Você não sabe como parte um
coração/ Ver seu filhinho chorando querendo ter um avião"
Existem registros em que Dinho cita o cantor norte-americano Ritchie
Valens, conhecido pela música La Bamba, morto em um acidente aéreo em 03
de Fevereiro de 1959. Em um vídeo Júlio e Dinho cantam a música Donna
de Ritchie Valens. Durante uma entrevista ao Top 30 MTV, Dinho afirmou
que os Mamonas Assassinas não lançariam um segundo disco "Vamos fazer um
show no interior e nós vamos de monomotor, você já ouviu falar em La
Bamba?". Em algumas oportunidades o vocalista chegou a assumir o lugar
do piloto durante as viagens do grupo. As brincadeiras com um possível
acidente era constante, e diversas brincadeiras com a morte foram
registradas.
No dia 02 de Março de 1996, o tecladista Júlio disse a um amigo
cabeleireiro que havia sonhando com um acidente de avião. O depoimento
foi gravado e teve muita repercussão na época.
ACIDENTE
A aeronave havia sido fretada com a finalidade de efetuar o transporte
do grupo musical para um show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. No
dia 1º de março de 1996, transportou esse grupo de Caxias do Sul para
Piracicaba, onde chegou às 15h45. No dia 2 de março de 1996, com a mesma
tripulação e sete passageiros, decolou de Piracicaba, às 07h10, com
destino a Guarulhos, onde pousou às 7h36. A tripulação permaneceu nas
instalações do aeroporto, onde, às 11h02, apresentou um plano de voo
para Brasília, estimando a decolagem para as 15h00. Após duas mensagens
de atraso, decolaram às 16h41. O pouso em Brasília ocorreu às 17h52. A
decolagem de Brasília, de regresso a Guarulhos, ocorreu às 21h58. O voo,
no nível (FL) 410, transcorreu sem anormalidades. Na descida, cruzando o
FL 230, a aeronave de prefixo PT-LSD chamou o Controle São Paulo, de
quem passou a receber vetoração por radar para a aproximação final do
procedimento Charlie 2, ILS da pista 09R do Aeroporto de Guarulhos
(SBGR). A aeronave apresentou tendência de deriva à esquerda, o que
obrigou o Controle São Paulo (APP-SP) a determinar novas provas para
possibilitar a interceptação do localizador (final do procedimento). A
interceptação ocorreu no bloqueio do marcador externo e fora dos
parâmetros de uma aproximação estabilizada.
Sem estabilizar na aproximação final, a aeronave prosseguiu até atingir
um ponto desviado lateralmente para a esquerda da pista, com velocidade
de 205Kt a 800 pés acima do terreno, quando arremeteu. A arremetida foi
executada em contato com a torre, tendo a aeronave informado que estava
em condições visuais e em curva pela esquerda, para interceptar a perna
do vento. A torre orientou a aeronave para informar ingressando na perna
do vento no setor sul. A aeronave informou "setor norte". Na perna do
vento, a aeronave confirmou à Torre estar em condições visuais. Após
algumas chamadas da Torre, a aeronave respondeu e foi orientada a
retornar ao contato com o APP-SP para coordenação do seu tráfego com
outros dois tráfegos em aproximação IFR. O PT-LSD chamou o APP-SP, o
qual solicitou informar suas condições no setor. O PT-LSD confirmou
estar visual no setor e solicitou "perna base alongando", sendo então
orientado a manter a perna do vento, aguardando a passagem de outra
aeronave em aproximação por instrumento. No prolongamento da perna do
vento, no setor Norte, às 23h16, o PT-LSD chocou-se com obstáculos a
3.300 pés (1006 metros), no ponto de coordenadas 23º25 52"S 046º35 58"W.
Em consequência do impacto, a aeronave foi destruída e todos os
ocupantes faleceram no local.
NOTA ADICIONAL
Uma operação equivocada do piloto é a versão do Departamento de Aviação
Civil (DAC) para explicar o acidente com o jatinho que causou a morte
dos cinco integrantes do grupo Mamonas Assassinas na noite de 2 de março
de 1996, em São Paulo. A 10 quilômetros do Aeroporto Internacional de
Guarulhos, em Guarulhos, o piloto repetia, a pedido da torre de
controle, o procedimento de aterrissagem. No entanto, em vez de fazer
uma curva para a direita, virou o avião Lear Jet 25, prefixo PT-LSD,
para a esquerda, chocando-se com a Serra da Cantareira. Além dos
componentes da banda, Dinho, que completaria 25 anos dali a três dias,
os irmãos Samuel (que completaria 23 anos no dia 11 de março) e Sérgio,
Júlio e Bento, também morreram no acidente o piloto, o co-piloto e dois
assistentes dos artistas, Isaque Souto, primo de Dinho, e Sérgio
Saturnino Porto, segurança do grupo. A morte trágica de seus cinco
integrantes causou comoção em todo o Brasil, menos de dois anos depois
da morte de Ayrton Senna em 1994. Dias após, houve um minuto de silêncio
no Maracanã, antes do jogo entre Botafogo e Flamengo.